CBN - A rádio que toca notícia

ARTIGO

Eu quero me mudar para o país descrito por Bolsonaro, na ONU

A jornalista Denise Assis diz que "ao contrário do meu país, onde o governo recusou água potável, álcool gel, remédios e hospitais de campanha para tratar os indígenas doentes", no país de Bolsonaro o "governo assistiu a mais de 200 mil famílias indígenas com produtos alimentícios e prevenção à covid'"

23/09/20, 09:33

Por Denise Assis, jornalista, passou pelos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" e "Imaculada". Membro do Jornalistas pela Democracia (foto)

S
im, eu quero me mudar para o país descrito na ONU por Bolsonaro. Lá, onde ele vive, o presidente se preocupa com as pessoas e lamenta a morte de cada uma das vítimas da Covid-19. Daí poder-se concluir que houve um empenho por parte do governo para que permanecessem vivas, o que infelizmente não foi possível aqui.

Lá em Pindorama, ou que país seja esse onde ele mora, o chefe da Nação respeita os valores nacionais e ama “com fé e orgulho” a terra onde nasceu. A tal ponto que se envaidece do seu discurso na língua pátria. No país em que vivo o presidente não conhece nem sequer o significado das palavras.

No país de Bolsonaro o chefe de estado coloca a Covid-19 como “centro de todas as atenções”. Que inveja! E tem tamanha visão de suas atribuições, que consegue perceber na pandemia a existência de, não apenas um problema grave, mas dois. Em seu país o vírus e o desemprego caminharam juntos e gritaram por solução. Nem precisava. Foram solucionados “com responsabilidade”.

No país de Bolsonaro o presidente, malvadamente, “por decisão judicial” foi tirado da coordenação das medidas de isolamento social. Porém, cônscio de seu dever, não desamparou os 27 governadores, a quem socorreu com “recursos e meios”. No meu país, teve governador mandando buscar “respiradores” na China, por conta própria. E sabem que o avião teve de fazer escala em Dubai para garantir a chegada da carga? Fosse um presidente igual ao do país de Bolsonaro e ele sozinho comprava tudo, em escala, para baratear o custo e fazer a logística da chegada. É ou não é? Que país, o dele!

E não foi só o poder Judiciário a tentar manietar o chefe de governo. Também a imprensa, (sempre ela), “politizou o vírus”. Mas que imprensa canalha! Com o mantra do “fique em casa, a economia a gente vê depois”, quase joga Pindorama no “caos social” … Assim não é possível. Mas lá estava ele, intrépido, com a sua imagem no telão da ONU, vitorioso, mostrando ao mundo a maravilha de cenário político que o país onde mora foi capaz de produzir.

Em Pindorama, “de forma arrojada”, foram implementadas várias medidas econômicas. Não valia a pena ficar ali expondo contas, esmiuçando números para o mundo. O que importa mesmo é que o presidente “evitou o mal maior”.  Tanto faz que mal era esse, ou de que dimensões. (Ele com certeza não sabia, pois em Pindorama as ações foram rápidas e eficientes. Nem precisou haver testagem). E sabem o que o dirigente dele fez? Sacou do bolso um super programa social e saiu distribuindo para 65 milhões (quase um quarto da população) uma ajuda de mil dólares. Sabe lá o que são mil dólares para quem estava acostumado a conceder meros R$ 200,00, para uma parcela muito menor da população? Um país e tanto, esse de Bolsonaro!

Ao contrário do meu país, onde o governo recusou água potável, álcool gel, remédios e hospitais de campanha para tratar os indígenas doentes – contaminados pelos brancos – no país dele, esse que ele descreveu ao mundo, o governo “assistiu a mais de 200 mil famílias indígenas com produtos alimentícios e prevenção à covid”. Isso é que é país!

Aqui, no país em que moro, os profissionais de saúde não tinham nem sequer equipamentos para se proteger do vírus. Morriam aos montes, indiscriminadamente, médicos e enfermeiras/os. Lá não. Lá ele mandou quadruplicar a fabricação de uma droga milagrosa, que tratava precocemente a doença. E ainda tirou da frente os ministros/médicos que discordaram do uso. Claro! Só atrapalhavam. Um general resolveu tudinho.

E o governante dele, com sua visão de futuro, fez mais. Destinou “US$ 400 milhões para pesquisa, desenvolvimento e produção da vacina de Oxford” … Nada de ficar investindo em vacina daquele país que o meu dirigente não gosta de dizer o nome. Produto chinês? Nem pensar. No país de Bolsonaro ou os produtos vêm de NY ou vêm de Londres. Isso sim, é qualidade.

E tem mais! Em Pindorama, “apesar da crise mundial, a produção rural não parou. O homem do campo trabalhou como nunca, produziu, como sempre, alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas”. No meu, onde o governo não se preocupa com gente, os atravessadores fizeram a festa. Compraram arroz dos produtores, exportaram, represaram o estoque e deixaram o preço subir como foguete. Para que pobre quer comer arroz, não é mesmo? Macarrão está aí como um bom substituto.

Pois acreditem. Mesmo fazendo das tripas coração para que os habitantes de Pindorama tivessem do bom e do melhor na crise do coronavírus, o governo de lá ainda foi vítima de calúnia e difamação. Eu se morasse num país como o de Bolsonaro processava esses europeus invejosos, que orquestraram “uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”. Tudo para derrubá-lo. Com certeza andaram lendo a biografia do Jânio Quadros e resolveram canalizar para cima dele as tais “forças ocultas”. Só para derrubá-lo. Como sabemos, “a Amazônia (…) é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos (…) com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”.

E, no fim, sabem quem estava queimando o país de Bolsonaro? Os índios e caboclos. Mereciam, como os indígenas do meu país, ficar sem água potável e medicamentos. Fizesse como aqui. Deixasse esse povo nas filas da Caixa Econômica, debaixo de sol, três meses para receber três parcelas de auxílio, e eles aprenderiam. Isto sim, é governo, o de Pindorama! Isto sim, é um país!

Fonte: JL
TODAS AS NOTÍCIAS DO PORTAL
24/10/20, 22:04 | POLÍTICA - Apoio de Bolsonaro prejudica candidaturas
24/10/20, 21:34 | PANDEMIA - Impasse pode atrasar vacinação, diz secretário de SP sobre Coronavac
24/10/20, 21:29 | POLÍTICA - Bolsonaro sugere que vacinação obrigatória é só para cachorro
24/10/20, 21:26 | INTERNACIONAL - ONU comemora 75º aniversário sem esquecer de crise mundial
24/10/20, 20:55 | POLÍTICA - Plataforma ajuda a escolher e acompanhar vereadores para eleições
24/10/20, 20:51 | POLÍTICA - Quatro fazendeiros perdem direito de usar suas terras no Pantanal por provocarem incêndios
24/10/20, 20:36 | POLÍTICA - Em crítica à ‘guerra das vacinas’, Lula posta foto de quando foi vacinado por Serra
24/10/20, 20:24 | POLÍTICA - Rodrigo Maia ataca Ricardo Salles e diz que ministro “resolveu destruir o próprio governo”
23/10/20, 19:18 | POLÊMICA - Lewandowski envia para o plenário ação sobre vacinação obrigatória da Covid-19
23/10/20, 19:08 | EDUCAÇÃO - Censo mostra que ensino a distância ganha espaço no ensino superior
23/10/20, 19:06 | ESPORTE - Tite convoca seleção para Eliminatórias da Copa do Mundo, em novembro
23/10/20, 18:59 | POLÍTICA - Em vídeo, candidato em Belém diz que vai “roubar para beber com amigos”
23/10/20, 18:54 | INTERNACIONAL - COVID-19: Biden promete vacina contra covid-19 gratuita se vencer as eleições
23/10/20, 18:46 | ESPORTE - Pelé completa 80 anos sem perder a majestade
23/10/20, 18:42 | PANDEMIA - Bolsonaro acabará correndo atrás de vacina chinesa
23/10/20, 17:33 | DOCUMENTÁRIO - Filme “Abraço” retrata o desafio de ser professor no Brasil
23/10/20, 00:46 | POLÍTICA - General Santos Cruz detona Bolsonaro e sua "mediocridade extrema"
22/10/20, 20:56 | PANDEMIA - Covid-19: Brasil tem 24,8 mil novos casos e mais 497 mortes em 24h
22/10/20, 20:53 | POLÍTICA - Bolsonaro sanciona projeto de lei que cria poupança social digital
22/10/20, 20:51 | POLÍTICA - Governo revoga normas trabalhistas e apresenta eSocial simplificado
22/10/20, 20:05 | POLÍTICA - Bolsonaro aposta no ‘caos’ para elevar abstenções nas eleições municipais, diz analista
22/10/20, 20:01 | DECISÃO - Justiça decide pela reintegração de bancários demitidos na pandemia
22/10/20, 19:55 | POLÍTICA - Lula: Bolsonaro recusar vacina chinesa é crime contra a nação e motivo para impeachment
22/10/20, 18:49 | INTERNACIONAL - Mais de 47 milhões já votaram em eleições dos EUA, superando 2016
22/10/20, 18:36 | JUDICIÁRIO - Piauiense Kassio Marques tomará posse no STF em 5 de novembro
22/10/20, 18:26 | CORONAVÍRUS - Pandemia faz aumentar para 35,2% o número de jovens que não estudam nem trabalham
22/10/20, 18:09 | OPINIÃO - Os generais estão entregando sua dignidade para um débil mental
21/10/20, 14:45 | STF - Kássio Nunes: cabe ao juiz aplicar lei independente do clamor popular
21/10/20, 14:41 | PANDEMIA - Segunda onda da covid-19 no Brasil é ‘risco iminente’, alerta Nicolelis
21/10/20, 14:31 | POLÍTICA - Dino confronta Bolsonaro e diz que governadores irão ao Congresso e ao STF para garantir vacina chinesa
« Anterior 1 - 30 | 31 - 60 | 61 - 90 | 91 - 120 | 121 - 150 | 151 - 180 | 181 - 210 | 211 - 240 | 241 - 270 | 271 - 300 Próximo »
JORNAL LUZILANDIA - O Futuro Começa Aqui
Copyright 2003 - Todos os direitos reservados
SITE FILIADO À LITIS CONSULT - REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS
CNPJ nº 35.147.883/0001-41 / CCN Comunicação.com Nordeste
Jornalista Renato Araribóia de Britto Bacellar - Homenagem Especial
Luzilândia - Teresina - Piaui - Brasil
CEP:64049-600 - Rua Lemos Cunha, 1544 - Ininga- Teresina-PI
Telefones: (86) 8804.2526 - 8100.6100
jornalluzilandia@hotmail.com | jornalluzilandia@gmail.com
création de site